17.7.09
16.7.09
Estou inocente, para mal dos meus pecados...
O que me anima nestas noites longe da vida vadia...Com a devida vénia ao Mestre.
(As Bodas de Deus - João César Monteiro)
14.7.09
Poetry Rules - Neruda
Poema XIV
Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mão todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as
estrelas do sul? Ah, deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não
existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha
pelos teus olhos.
Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos
escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos
Os olhos
E sobre as nossas cabeças distorcem-se os crepúsculos
em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, "copihues",
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.
(Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada)
Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mão todos os dias.
Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as
estrelas do sul? Ah, deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não
existias.
Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha
pelos teus olhos.
Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.
O que te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos
escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d'alva beijando-nos
Os olhos
E sobre as nossas cabeças distorcem-se os crepúsculos
em leques rodopiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, "copihues",
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.
Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.
(Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada)
13.7.09
8.7.09
Poetry Rules - Eugénio de Andrade
O SORRISO
Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(O OUTRO NOME DA TERRA)
Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(O OUTRO NOME DA TERRA)
5.7.09
Lisboa Não É A Cidade Perfeita - Deolinda
Ainda bem
que o tempo passou
e o amor que acabou
não saiu ...
Ainda bem
que há um fado qualquer
que diz tudo o que vida
não diz ...
Ainda bem
que Lisboa não é
a cidade perfeita
para nós ...
Ainda bem
que há um beco qualquer
que dá eco
a quem nunca tem voz...
Ainda agora vi a louca
sózinha a cantar
do alto daquela janela ...
Há noites em que a saudade
me deixa a pensar
um dia juntar-me a ela,
um dia cantar como ela ...
Ainda bem
que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela
a seguir ...
Ainda bem
que o Tejo é lilás
e os peixes não param
de rir...
Ainda bem
que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta
do meu ...
Ainda bem ...
Se o destino quiser
esta trágica história
sou eu.
Ainda agora via a louca ...
2.7.09
Poetry Rules - Xavier
O tempo é ausência e é só
Os dias vão passando,
Sem mais.
O relógio não dá as horas,
Não tem já alma.
O tempo é sempre o mesmo,
E um só,
Este.
E é ausência, peso, nem sei se dor.
Não há passado
Há ausentes.
E o futuro
É já pó.
4 VI 2009
Os dias vão passando,
Sem mais.
O relógio não dá as horas,
Não tem já alma.
O tempo é sempre o mesmo,
E um só,
Este.
E é ausência, peso, nem sei se dor.
Não há passado
Há ausentes.
E o futuro
É já pó.
4 VI 2009
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