25.8.09
Come to me - Koop
baby
I've been waiting for you
don't run away now
you've got nothing to lose
maybe
I feel so alone
and I need someone
to call my own
'cause my love has just left me
and I need someone new
who can tell me forever
and my eyes are on you
oh baby
oh baby
oh baby
come to me
From the album Koop Islands
24.8.09
Poetry Rules - João Cabral de Melo Neto
Homenagem a Picasso
(Pedra de Sono)
O esquadro disfarça o eclipse
que os homens não querem ver.
Não há música aparentemente
nos violinos fechados.
Apenas os recortes dos jornais diários
acenam para mim como o juízo final.
que os homens não querem ver.
Não há música aparentemente
nos violinos fechados.
Apenas os recortes dos jornais diários
acenam para mim como o juízo final.
(Pedra de Sono)
21.8.09
Senhora minha muito amada - Pablo Nerruda
A Matilde Urrutia
Senhora minha muito amada, grande foi o meu sofrimento ao escrever estes mal chamados sonetos, que bastantes dores me causaram, mas a alegria de tos oferecer é maior que um pranto. Ao decidir-me a escrevê-los, bem sabia que ao lado de cada um, por afeição, escolha e elegância, os poetas de todas as épocas colocaram rimas que soaram como joalharia, cristal ou tiro de canhão. Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem chegar aos teus ouvidos. Caminhando por bosques e areais, por lagos perdidos, por cinzentas latitudes, tu e eu recolhemos fragmentos de pau duro, de lenhos submetidos ao vaivém da água e da intempérie. De tais suavizadíssimos vestígios construí, com machado, faca, navalha, estas estâncias de amor e edifiquei pequenas casas de catorze tábuas para que nelas vivam teus olhos que adoro e canto. Assim estabelecidas as minhas razões de amor, entrego-te esta centúria: sonetos de madeira que só existem porque tu lhes deste vida.
Outubro de 1959
(Oferecendo-lhe o seu Cem Sonetos de Amor)
19.8.09
18.8.09
Retratos - A manhã seguinte
E o esquecimento, donde vem? e a escova de dentes que não é minha e assalta a minha mão, e outra vez aquela pergunta em frente ao espelho que se vai cristalizando em imagens mais ao menos desorganizadas, e o álcool a escapar-se-me pelos poros e a cada respiração, e ainda assim não o suficiente, como tudo me tem escapado um pouco na vida, e aquela voz estranha, que não vem de dentro de mim mas de algo mais profundo, é real e vem do quarto ao lado, e o telemóvel que toca e naquele momento tudo soa a estranho, como se tudo fosse um sonho e o sonho não pudesse ser a vida, é o despertador dizes, e a cabeça a explodir em constantes assomos de culpa, ai os excessos ouço-te, e não te quero ainda, que seria de mim sem os excessos, e a culpa a adensar-se num abraço, estranho também, mas quente, e naquele momento podia sentir a tua alma, e não era um abraço já, mais um beijo, ou uma linguagem secreta, talvez aquele filme, e não me lembro do nome ainda, que me fez esconder as lágrimas, que eram também para ti, que não és a mesma. E ainda assim olho-me, mas vejo-me desabitado, nem vazio, mas tu pareces gostar tanto de mim assim que quase acredito que é possível gostar-se de alguém assim, só me queres preencher, deve ser por te querer preencher dizes antes de eu o ter dito, e não vou fazer nada hoje, está decidido, esta ressaca pesa tanto como a vida, ou mais, mas doí menos, estes espasmos de dor a lembrarem que também a felicidade é etérea, como este verão, ou como eu em frente à porta aberta da casa-de-banho, a ver-te sair posta nessas cuequinhas, e só a pensar que tu talvez pudesses ser outra, ou pelo menos que eu poderia ser outro, e tu a dizeres que não, que não podia ser diferente, como se me tivesses ouvido, porque há essa coisa a que ousam chamar destino, esse deus castigador, um deus das pequenas coisas, não sejas parvinho dizes, já com o vestidinho que apanhaste aos pés da cama, onde fez amor a noite inteira, vais ficar o dia todo na cama? e a noite, se não o puder evitar, e na verdade a manhã seguinte custa-me tanto que abdicaria da vida para ficar para aí deitado, e para evitar esta conversa, e esta manhã, e sabes que sei que sabes, merda isto soa a uma canção qualquer, ou talvez não, que gosto de dormir sozinho, tens medo que os sonhos se misturem? não com a vida, mas o meu com o teu, mas não quando estou assim tão frágil, ressacado queres dizer, e não houve risos, não quando preciso que me deites com as tuas palavras doces, como se aconchega um filho, por isso este beijo da manhã, seguido das tuas queixas ao álcool que ainda aquece o meu hálito e o meu viver.
18 VIII 2009
18 VIII 2009
Por Xavier Carlos
17.8.09
Poetry Rules - José Luís Peixoto
quando os nossos corpos se separaram
quando os nossos corpos se separaram olhámo-nos quase a desejar ser felizes.
vesti-me devagar, o corpo a ser ridículo. disse espero que encontres um homem
que te ame, e ambos baixámos o olhar por sabermos que esse homem não existe.
despedimo-nos.tu ficaste para sempre deitada e nua. eu saí para sempre
na noite.olhamo-nos pela última vez e despedimo-nos sem sequer nos conhecermos.
( A criança em ruínas )
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