POEMA DA DESPEDIDA
Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo
22.10.09
21.10.09
20.10.09
18.10.09
Poetry Rules - Xavier
A Saudade Não É Apenas Uma Palavra
Este quarto faz-me mal. Estás aqui,
E aqui a saudade deixa de ser apenas uma palavra.
A tua fotografia já não está na parede.
Mas continua a enchê-la,
E a lembrar-me que a saudade não é apenas uma palavra.
Sou uma criança em ruínas, como a criança do livro daquele poeta,
Ou como o próprio poeta,
Mas eu sou real, e as ruínas também.
Sinto que posso desfazer-me a qualquer momento, e choro,
Mas não por isso.
Lembro com saudade
Os tempos em que a saudade era apenas uma palavra,
Doces,
Como lembro as vezes que escrevi a palavra saudade,
Sem saber que não estava a escrever apenas uma palavra.
16 V 2009
Este quarto faz-me mal. Estás aqui,
E aqui a saudade deixa de ser apenas uma palavra.
A tua fotografia já não está na parede.
Mas continua a enchê-la,
E a lembrar-me que a saudade não é apenas uma palavra.
Sou uma criança em ruínas, como a criança do livro daquele poeta,
Ou como o próprio poeta,
Mas eu sou real, e as ruínas também.
Sinto que posso desfazer-me a qualquer momento, e choro,
Mas não por isso.
Lembro com saudade
Os tempos em que a saudade era apenas uma palavra,
Doces,
Como lembro as vezes que escrevi a palavra saudade,
Sem saber que não estava a escrever apenas uma palavra.
16 V 2009
17.10.09
15.10.09
Poetry Rules - Pablo Neruda
XVII
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.
Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.
(Cem Sonetos de Amor)
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.
Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.
(Cem Sonetos de Amor)
13.10.09
Assinar:
Postagens (Atom)
