Isto é uma confissão, uma radiografia...aqui me tens, e se quiseres saber o que eu realmente sinto por ti só tens que chegar ao fim destas linhas (que não são poucas). Se não quiseres saber a solução é ainda mais simples:pára aqui e lixo com estas letras! Vou tentar pôr tudo da forma mais simples, sem preocupações técnicas ou linguísticas, o tempo para impressionar já lá vai, o objectivo é só o de apresentar o homem, sem máscaras, nu...
Graças (...) não poderás ver, nem sentir talvez, a minha mão a tremer, como treme a mão de um miúdo que apaixonado pela primeira vez não sabe o que fazer. Também eu não estou bem certo do que fazer, por isso estas linhas, na ilusão da bondade do poeta:"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir".
O que sinto por ti é grande, muito maior do que gostaria, pelo menos neste momento...Não sei se é amor, nem sei se o amor se pode pôr em palavras, nem sei se há amor sem ser recíproco...mas sei que é bem forte...tão intenso...Não é simples atracção, e nada do que sinto exagero, quando muito minimizo (sempre o peso da razão!). Fui claramente ultrapassado pelo meus sentimentos. Se eu me colocaria voluntariamente nesta posição, gostar assim de ti sem saber o que tu sentes? A resposta nunca poderia ser positiva. Para além de tudo, não nos conhecemos assim há tanto tempo, nem tão bem...o que em vez de menorizar só agrava o meu drama interior. De onde me vem tudo isto então? Não sei de onde vem (nem para onde vai), mas sei o que se passa cá dentro quando estamos juntos e, sobretudo,sei o que se passa quando não estamos (e continuas presente). Não sei se quando estou contigo a minha felicidade é visível, mas sendo-o é infinitamente menor à que sinto. E se não estamos juntos o meu primeiro pensamento é: quando é que a vou voltar a encontrar no caminho. Penso em ti e quero estar contigo, e é mais forte que eu.
É verdade, o primeiro "impacto" contigo é sempre positivamente traumático: és muito mais do que o exteriorizas. O teu "invólucro" (que palavra, perdoa) fica muito aquém, e ainda assim é o que é! És diferente, linda e inteligente (combinação tão fatal)...agora já sei a resposta à pergunta que te coloquei algumas vezes: o que é tu fazes aos homens?, a resposta não podia ser mais simples:nada...existes...és especial e és única. Tens razões para não trocar esse sorriso (a tua alma, dizes...pelo menos espelho ou janela para a alma) por nada, quem trocaria um sorriso que talvez, só, tenha inspirado todos os poetas de todos os tempos! E esse olhar (também aqui as palavras são poucas mas nunca seriam demais) que tantas vezes tentei capturar para mim, guardá-lo bem no fundo do meu ser, num daqueles locais onde, mesmo com chave, ninguém pode entrar...
Isto é o que representas para mim...não sei se é muito ou pouco, sei que é muito mais do que eu gostaria: porque não sei o que sentes por mim e, sobretudo, porque sei que as mulheres como tudo são as mais difíceis de esquecer, são sempre necessária muitas mulheres para se esquecer uma mulher inteligente, já o disse um qualquer génio.
Na verdade, gostaria que gostasses assim de mim...se não for nesta vida espero por outra, temo muito que ainda assim fico a ganhar.
Carta Anónima (Revista Para Português Moderno)
15.3.10
11.3.10
Poetry Rules - Cruzeiro Seixas
Faças o que fizeres
já nada faz o tempo parar de espanto
de curiosidade
de comoção
de ódio ou de amor
diante do simples movimento antigo
de colher uma flor.
O tempo foge de nós
meu amor.
Áfricas, 56
já nada faz o tempo parar de espanto
de curiosidade
de comoção
de ódio ou de amor
diante do simples movimento antigo
de colher uma flor.
O tempo foge de nós
meu amor.
Áfricas, 56
8.3.10
5.3.10
Poetry Rules- Al Berto
RECADO
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
3.3.10
1.3.10
Poetry Rules - Miguel-Manso
O PREC EM 2008
o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que
nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores
agora um amigo diz-me: “esta
revolução não dá um passo!”
concedo, mas não desisto
incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa
revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar
[@ Quando escreve descalça-se, Trama, 2008]
o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que
nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores
agora um amigo diz-me: “esta
revolução não dá um passo!”
concedo, mas não desisto
incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa
revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar
[@ Quando escreve descalça-se, Trama, 2008]
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