9.9.10

From Poets Corner - Murilo Mendes

Somos todos poetas

Assisto em mim a um desdobrar de planos.
as mãos vêem, os olhos ouvem, o cérebro se move,
A luz desce das origens através dos tempos
E caminha desde já
Na frente dos meus sucessores.
Companheiro,
Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo da tua alma.
Sou todos e sou um,
Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego,
Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
Sou responsável pelas auroras que não se levantam
E pela angústia que cresce dia a dia.

4.9.10

esta é a nossa maneira de estarmos sós

o que resta quando o que é tudo parece não deixar espaço para mais nada?
se o soubesse encontrar oferecia-te ainda o meu coração...e ontem tinhas razão, são demasiadas as saudades da tua língua...e quando estás por perto nunca sei o que sentir e não se nota e sei que para ti existo insistentemente mas só quando me olhas...estaremos sempre com outros, mas nem por isso deixaremos algum dia de estar juntos. estaremos sempre com outros, mas nem por isso deixaremos algum dia de estar sós.

1.9.10

Administrador - Direito de Resposta

Ao abrigo do direito de resposta previsto no artigo 24º da Lei nº 2/99 –Lei de Imprensa, solicito que sejam publicados, com destaque igual ao conferido ao post relativo ao pretenso "golpe de estado" , o seguinte esclarecimento:
Este blog é e será sempre administrado por Carlos Soares, desde logo porque não se credita qualquer valor a uma administração autopoiética!
Quanto ao mentor do pretenso "golpe", deixo-lhe aqui a burocracia do fim de uma longa amizade (valter hugo mãe, folclore íntimo):


serve para lhe dizer, senhor
a. n., que depois do que
me fez, levei ao lixo cada objecto
que conservava a sua memória e que
eduquei a cabeça a pensar só em
excrementos sempre que por inércia
me quiser aborrecer com lembranças
do que vivi perto de si. que tolice, a
cabeça prega-nos truques, mas com o
presente estará sanado o vício e o
senhor, de vício, passará a ser um
cidadão livre da minha admiração e
cuidado. vai escrito aos dias vinte
de abril de dois mil e sete e vigora
em território nacional e comunitário
por aplicação directa e no resto do
mundo por força dos acordos tácitos
de quem tem vergonha na cara. no mais,
saiba que este poema o obriga a não
chegar à minha pessoa a menos de
vinte mil metros e a não me dirigir
palavra. com vocação para toda a
vida, este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz. já penso
em excrementos quando escrevo
estes últimos versos e o meu coração
fecha-se naturalmente a toda e qualquer
ternura da sua amizade

30.8.10

Hei-de saber dizer-te a minha saudade

Hei-de saber dizer-te a minha saudade…

Tenho ciúmes de ti

e é uma coisa irracional

Tenho ciúmes de ti e é irracional porque eu não tenho ciúmes,

mas de ti tenho, e muitos, ciúmes-ciúmes, sabes, ciúmes do tipo: o que é esse gajo queria; são horas para alguém te ligar?

E se o eu sentir ciúmes não é grande novidade para ti, acho que a intensidade deste sentir é.

Hoje sonhei contigo

Hei-de saber esperar por ti, disse-te

Hoje sonhei contigo, hoje sonhei contigo e foi bom. Não me beijaste, não houve abraços, não houve a tua mão,

mas hoje sonhei contigo e foi bom,

acordei com o coração menos pesado, mais limpo, mais em paz,

é bom sonhar contigo.

Não sei como vamos ser daqui para frente, nem sei se vamos ser, mas espero continuar a sonhar contigo, é bom sonhar contigo.

Sempre tive mais perguntas que respostas e tu ajudaste-me em muitas delas, nas mais importantes, e tu tens sido a resposta a muitas delas. Sei que o meu caminho passa por ti, não estou a dizer que o teu passe por mim, mas sei que nesta vida (e em quantas mais) eu tinha de te encontrar, crescer contigo, ser mais…

encontrei-te…

E hei-de saber esperar por ti e hei-de saber escrever a minha saudade.

E mesmo que toda a gente me diga que não vale a pena, mesmo que a única pessoa que importa diga que não vale a pena

Hei-de saber esperar-te

ainda que acabe sozinho,

porque mesmo aí não estarei verdadeiramente sozinho…

estarei a esperar-te.

23.8.10

From Poets Corner - José Miguel Silva

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos
na máquina do mundo, à impotência do riso
contra tudo o que não sabemos mudar:
a morte, o egoísmo, o levadiço coração
humano. Porque não há mais nada (ok,
há o amor – vai-te foder) e nos negócios
da razão o pessimismo é a moeda
do momento. Regressemos ao ruído,
à sombria comissão liquidatária
desta fábrica de trapos coloridos.
Se não há melhor emprego para a culpa
e os domingos custam dias a passar.

11.8.10

Um blog novo veio da mata



Golpe que se preze têm música...

Golpe de Estado

O The Royal Junk Club (TRJK) vem por este meio anunciar que o seu destino não mais se encontra nas mãos do seu antigo administrador, ao qual, de futuro, não reconhece qualquer legitimidade para se associar às iniciativas do TRJK. Mais, qualquer tentativa de perturbação do normal desenvolvimento do blog, levada a cabo pelo ex-administrador, será repelida pela força.

Podes crer, meu menino...isto é um Golpe de Estado!