30.8.10

Hei-de saber dizer-te a minha saudade

Hei-de saber dizer-te a minha saudade…

Tenho ciúmes de ti

e é uma coisa irracional

Tenho ciúmes de ti e é irracional porque eu não tenho ciúmes,

mas de ti tenho, e muitos, ciúmes-ciúmes, sabes, ciúmes do tipo: o que é esse gajo queria; são horas para alguém te ligar?

E se o eu sentir ciúmes não é grande novidade para ti, acho que a intensidade deste sentir é.

Hoje sonhei contigo

Hei-de saber esperar por ti, disse-te

Hoje sonhei contigo, hoje sonhei contigo e foi bom. Não me beijaste, não houve abraços, não houve a tua mão,

mas hoje sonhei contigo e foi bom,

acordei com o coração menos pesado, mais limpo, mais em paz,

é bom sonhar contigo.

Não sei como vamos ser daqui para frente, nem sei se vamos ser, mas espero continuar a sonhar contigo, é bom sonhar contigo.

Sempre tive mais perguntas que respostas e tu ajudaste-me em muitas delas, nas mais importantes, e tu tens sido a resposta a muitas delas. Sei que o meu caminho passa por ti, não estou a dizer que o teu passe por mim, mas sei que nesta vida (e em quantas mais) eu tinha de te encontrar, crescer contigo, ser mais…

encontrei-te…

E hei-de saber esperar por ti e hei-de saber escrever a minha saudade.

E mesmo que toda a gente me diga que não vale a pena, mesmo que a única pessoa que importa diga que não vale a pena

Hei-de saber esperar-te

ainda que acabe sozinho,

porque mesmo aí não estarei verdadeiramente sozinho…

estarei a esperar-te.

23.8.10

From Poets Corner - José Miguel Silva

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos
na máquina do mundo, à impotência do riso
contra tudo o que não sabemos mudar:
a morte, o egoísmo, o levadiço coração
humano. Porque não há mais nada (ok,
há o amor – vai-te foder) e nos negócios
da razão o pessimismo é a moeda
do momento. Regressemos ao ruído,
à sombria comissão liquidatária
desta fábrica de trapos coloridos.
Se não há melhor emprego para a culpa
e os domingos custam dias a passar.

11.8.10

Um blog novo veio da mata



Golpe que se preze têm música...

Golpe de Estado

O The Royal Junk Club (TRJK) vem por este meio anunciar que o seu destino não mais se encontra nas mãos do seu antigo administrador, ao qual, de futuro, não reconhece qualquer legitimidade para se associar às iniciativas do TRJK. Mais, qualquer tentativa de perturbação do normal desenvolvimento do blog, levada a cabo pelo ex-administrador, será repelida pela força.

Podes crer, meu menino...isto é um Golpe de Estado!

16.5.10

Poetry Rules - Adília Lopes

Se tu amas por causa da beleza, então não me ames!
Ama o Sol que tem cabelos doirados!

Se tu amas por causa da juventude, então não me ames!
Ama a Primavera que fica nova todos os anos!

Se tu amas por causa dos tesouros,então não me ames!
Ama a Mulher do Mar: ela tem muitas pérolas claras!

Se tu amas por causa da inteligência, então não me ames!
Ama Isaac Newton: ele escreveu os Princípios Matemáticos da Filosofia
Natural!


Mas se tu amas por causa do amor, então sim, ama-me!
Ama-me sempre: amo-te para sempre!

25.4.10

Revolução, Precisa-se!

O PREC EM 2008

o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que

nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores

agora um amigo diz-me: “esta
revolução não dá um passo!”

concedo, mas não desisto

incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa

revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar


Miguel-Manso

[in Quando escreve descalça-se, Trama, 2008]